A Prefeitura de Santo André tem buscado enfrentar um problema recorrente na rede municipal: o não comparecimento de munícipes a consultas e exames previamente agendados. Em setembro de 2018, a Secretaria de Saúde divulgou um balanço do primeiro semestre daquele ano mostrando que cerca de 40% dos agendamentos não tiveram comparecimento e, segundo o levantamento, nem houve aviso prévio em parcela desses casos.
Mais recentemente, uma reportagem publicada por veículo local com base em números levantados junto à Secretaria de Saúde informou que, em 2025, houve 86.964 consultas marcadas no sistema geral do município, com 10.469 faltas, resultando em índice global em torno de 12%. Para exames, a mesma apuração apontou 18.487 procedimentos (entre consultas e exames) e 8.499 não realizados por falta dos pacientes, com taxa de 45,97% — além de detalhar taxas por tipo de atendimento na atenção especializada.
Ainda dentro do tema, documento encontrado em base de tramitação legislativa do município trata da responsabilização do usuário em caso de faltar injustificadamente a atendimentos consecutivos previamente agendados, com proposta de impedimento para novos agendamentos por período definido em texto do projeto. O conteúdo, porém, é um indicativo de discussão e não substitui a necessidade de verificar se a regra chegou a ser aprovada e aplicada, além do desenho final da política.
Para 2026, a redação solicitou verificação de dados do ano e possível histórico dos últimos dois anos. Até o momento, não foi localizado, em fontes oficiais abertas na busca realizada, um boletim consolidado e publicado pela Prefeitura com séries mensais e totais de faltas em consultas e exames específicas para todo o ano de 2026 (ou um recorte padronizado “marcado x realizado” e “faltas com/sem aviso”). Assim, a matéria pode informar com segurança os dados históricos já publicados e destacar que os números mais recentes dependem de confirmação em relatórios da Secretaria ou respostas via canais oficiais de transparência.
A reportagem também encontra, em publicação oficial sobre prontuário e digitalização da rede, que a integração tecnológica ampliou o acesso a encaminhamentos e solicitações de exames, o que pode contribuir para melhor acompanhamento do fluxo assistencial. Mesmo assim, “absenteísmo” e “não realização por falta” ainda precisam ser apresentados com metodologia clara (se considera todas as especialidades, se separa consultas e exames, e se exclui remarcações e reclassificações), para que a comparação entre anos seja justa.
O desafio, portanto, segue duplo: de um lado, reduzir o desperdício de vagas e recompor a fila; de outro, melhorar a previsibilidade do agendamento e a comunicação prévia de desistências. Para fechar a apuração com números de 2026 e consolidar a série dos últimos dois anos, a redação deve solicitar à Secretaria de Saúde os dados oficiais (com recorte temporal e metodologia) e dar espaço ao posicionamento da pasta sobre medidas em curso e metas de redução do não comparecimento.
